Queridos irmãos, tenho feito alguns comentários rápidos e esporádicos sobre a nossa forma de reunir, particularmente sobre a ausência do serviço dos diversos membros do Corpo e sobre a predominância de um modelo de condução do chamado “período do louvor”. Quero aqui escrever algumas considerações para serem analisadas e, se procedentes, operarem alguma mudança que os faça crescer nas nossas reuniões.

Estas considerações não se constituem em um “estudo bíblico” sobre o assunto das reuniões e cultos. Na verdade temos ensino bíblico sobre cultos, mas os ensinos de Cristo se referem na sua maior parte ao dia a dia do discípulo e seus relacionamentos com Deus e com as pessoas. Essa é uma verdade que não devemos nos esquecer: não devemos avaliar a vida da igreja pela forma como ela se expressa nos seus cultos, mas pela maneira de viver no dia a dia.

Mas isso não significa que os cultos tenham importância menor. Ao contrário, devemos dar atenção ao nosso reunir como quem quer oferecer o melhor ao Senhor Jesus e aproveitar os recursos e a graça que há no reunir-nos em nome de Jesus, a começar pela realidade da presença do Senhor Jesus: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18:20).


O modelo presente

Temos hoje um modelo de reunião que no geral obedece à seguinte ordem: oração/louvor/pregação/oração. Este modelo tem a característica de manter o serviço ao cargo de poucos: o “dirigente de louvor” e sua equipe (tocadores e – não sei exatamente com se diz – “back vocals”) e o pregador. Mesmo no caso do louvor o comum é que o dirigente age sozinho e a sua equipe funciona como apoio nos instrumentos e no vocal, mas não na ministração ou serviço de dons.

Lutero denunciou o clericalismo católico e levantou a bandeira do sacerdócio de todos os santos, mas somente no aspecto vertical do acesso a Deus sem necessidade de sacerdotes especiais. No aspecto horizontal foi mantido na igreja evangélica o clericalismo, onde uns servem e a maioria assiste. Isso tem sido quebrado no aspecto do discipulado e pregação do evangelho, pois muitos têm ensinado que todos somos chamados para fazer discípulos e cuidar deles. Mas quando falamos do exercício dos dons e de reuniões caímos no pecado do monopólio eclesiástico.

As igrejas pentecostais tradicionais quebram um pouco esse esquema ao utilizar a prática das “oportunidades”. Alguém pode considerar essa uma prática ultrapassada, mas imagino que essa maneira de reunir seja o resquício de um tempo realmente pentecostal quando o Espírito agia com liberdade através dos diversos membros do Corpo para edificação mútua com o exercício dos diversos dons e expressões de louvor e adoração.

Quando eu era criança via nos cultos batistas um momento que se chamava União de Treinamento. Não sei se ainda existe isso, mas era um período antes das reuniões quando os diversos irmãos iam à frente fazer algo (pregar, ensinar, cantar, recitar uma poesia etc.). As que presenciei se constituíam numa prática vazia, mas interessante no sentido de fazer as pessoas desenvolverem suas habilidades (dons?).

O atual movimento de louvor e adoração causou uma benéfica revolução nos cultos da igreja evangélica. A qualidade, a alegria, as letras dirigidas em adoração a Deus, a intensidade na adoração, a liberdade de expressar-se, as músicas mais acessíveis e próximas ao povo que os antigos hinos (ainda que eu tenha saudades de muitos deles, mas isso é coisa de que tem coisas velhas no seu tesouro)... Tudo isso e muito mais foram coisas acrescentadas no edifício que é a igreja.

Outra coisa importante nessa mudança foi a passagem do ritual tradicional traçado previamente na “ordem de culto” feita para atender a ordem humana ou das “apresentações” nas “oportunidades” para um louvor que enfatizava a adoração, mais importante que a ordem do culto e que as pessoas lá na frente “aparecendo”.

Pena que percebo a volta da ordem do culto, não escrita em boletins de papel, mas em “cultos-show” nos quais não pode haver erros e os artistas gastam horas de ensaio e de preparação dos equipamentos. Voltaram também as apresentações, não mais de vários (senhoras, homens, adolescentes, crianças, grupo tal, equipe tal etc.), mas dos “homens-show”, sejam eles pregadores ou músicos.

Minha análise não é só da igreja evangélica à nossa volta, mas é sobre nós mesmos. Penso que temos muito menos dessas coisas por causa do espírito crítico que nos é característico. Mas mesmo assim precisamos sempre estar atentos para que o risco da hipocrisia e da tradição do que “está dando certo” não nos cegue. Cegos, não vemos o caminho das Escrituras. Precisamos buscar viver como quem busca ouro, prontos a abrir mão de coisas boas para viver coisas melhores.


Quanto aos “cultos-show” (falo dos nossos também), eu ousei conferir a ele o padrão ISO9000. São cultos onde não há erro, são lindos, maravilhosos, poderosos, encantadores, levam-nos ao choro, ao êxtase, saio dali com a forte sensação de que estive no Santo dos Santos. Há alguns problemas nesse culto ISO9000:

• Quando saio dali também saio do Santo dos Santos.

• Ele não produz mudança real no meu dia a dia, assim como normalmente decisões emocionais não produzem mudanças, mas decisões conscientes resultado de revelação.

• Os “homens-show” (falo de nós) usam palavras e frases feitas que mexem com a emoção do povo. Eles crêem mesmo no que estão falando ou é apenas hábito ou pior: fé fingida?

• A intensidade do culto produzido por músicos e comunicadores tão hábeis corresponde à realidade da vida do povo, talvez dos próprios dirigentes?

• O “culto ISO9000” não admite os que não se ajustam ao seu controle de qualidade. Não há lugar nesses cultos para os pobres, os gagos, os analfabetos, os desafinados, os que falam errado. Vejam quando ficamos agoniados quando um irmão simples fala algo risível ou sem graça.

• O ISO9000 não tem silêncio, não tem meditação, não dá espaço para ouvir Deus. E se Deus não quiser daquela forma hoje? Ele pode mudar? Sei não...


Costumamos diante de considerações como essas pensar nos outros ou dizer: “mas não podemos radicalizar, temos que buscar o equilíbrio”.

Gostaria de simplesmente desconsiderar tal comentário. Ouvir uma vez um amigo dizer que equilíbrio é coisa de gente de circo, balançando numa corda para não cair. Precisamos na verdade é buscar entender a vontade de Deus e vivê-la plenamente e ser radical nesse sentido. Radicalizar no buscar ser guiado pelo Espírito, como é radical o Senhor ao dizer que “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”.


Precisamos saber que não estamos isentos dos seguintes riscos:

• Fazer coisas que estão dando certo, mas que não são da vontade de Deus.

• Fazer coisas que deram certo em outro tempo mas que não são mais da vontade de Deus agora.

• Fazer coisas mecanicamente com toda boa intenção. Daí minha conhecida chatice com as frases feitas, jargões de pregador etc., principalmente aquelas que são ditas em nome de Deus e que visam produzir cultos e experiências “abençoadas”.

• Ser hipócritas.

• Ser praticante do versículo: “Recebereis poder ao ter na mão o microfone...”. Minha pergunta comigo mesmo é a seguinte: Sou a mesma pessoa ao microfone que sou no dia a dia? A minha voz é a mesma? Minhas palavras são a mesma? Minha fé é a mesma? Profetizo no dia a dia, inclusive em minha casa, como quando estou no microfone? Quero ser mais poderoso fora dele, quero ser mais fraco com ele na mão.



Buscando o modelo de Deus



1. A dependência do Espírito e a realidade da presença do Senhor.

Quando começamos a nossa reunião já sabemos o que fazer e o que vai acontecer. Será que gastamos o mesmo tempo orando ao Senhor e perguntando o que ele quer que façamos que gastamos arrumando equipamento de som, afinando instrumentos, dispondo as cadeiras no lugar certo?

Se o Senhor Jesus estivesse em carne e osso no nosso meio o que faríamos? Eu ficaria calado esperando que ele dissesse o que deveríamos fazer. Ser ele me mandasse falar eu falaria, se não me mandasse fazer nada eu ficaria calado. Mas ele está no nosso meio! Não em carne e osso, mas, melhor, em Espírito, sem limitações, não somente entre nós, mas em nós. Se o perguntarmos o que fazer e dermos tempo para ele nos responder (ou melhor) para o ouvirmos, ele vai nos guiar.

Mas a ansiedade vai nos permitir isso? E se não acontecer nada? Temos paciência para esperar, para aprender ser guiado, para ficar calados? Estamos acostumados a sair fazendo as coisas. O culto fica feio se ficar tudo parado esperando o Senhor fazer as coisas. É mais fácil o dirigente de louvor tocar uns acordes, o pastor fazer uma oração cheia de frases feitas, iniciar cantando um cântico de vitória e o povo explodir em uma salva de palmas no final da oração. Está iniciada a reunião. O ambiente está “cheio da glória de Deus”. Se os instrumentos pararem a glória de Deus permanece?

Devemos ouvir a Deus sobre os nossos ajuntamentos antes de nos reunirmos. Devemos saber muito do que Deus vai fazer ali. Mas há muito também que ouvir na hora, tantas coisas que extrapolam nosso controle pastoral, pois na igreja não há monopólio na mão de homens. Sugiro tempo sem pressa para esperar Deus fazer.


2. O corpo em funcionamento nos cultos – I Cor. 14

• Penso que os irmãos em Corinto e nós temos o mesmo problema mas com os sinais invertidos: Ter reuniões nas quais a igreja seja edificada.

Em Corinto eles precisavam diminuir o espaço para a quantidade de irmãos que queriam expressar-se nos dons. Entre nós precisamos aumentar, dar, criar e incentivar esse espaço.

Corinto: Muita gente agindo > desordem = Falta de edificação

Nós: Pouca gente agindo > Ordem demais = Falta de edificação

Eles profetizavam muitos de uma só vez. Nós só temos um profeta: o pregador. O dirigente de louvor quando profetiza também o faz sozinho e não se ouve a sua voz pois ela é coberta pelo próprio violão ou teclado que ele continua tocando. O que importa não são as palavras, mas o tom da voz e o ambiente. Um dia pedi a um irmão que dirige o louvor que parasse de tocar seu violão e pedisse ao povo que fizesse silêncio pois ele mesmo estava profetizando e a igreja precisava ouvir para ser edificada. A palavra recebida precisa ser ouvida com fé para gerar vida. Os outros precisam ouvir e entender para poder dizer o amém.

• Esse não é um problema de reuniões grandes como as de “domingo”, mas de cultura evangélica.

São as grandes reuniões de domingo que impedem que as pessoas exerçam seus dons porque elas exigem maior controle por causa da quantidade de gente? Não, porque esse modelo se repete nas reuniões pequenas nos grupos nas casas. Em qualquer reunião não há tempo para perguntar ao Senhor o que ele quer fazer e para deixar as pessoas operarem nos dons. Em qualquer reunião alguém monopoliza com violão e música e outro com pregação.

É uma questão de ensino e de prática. Ensinar que cada um tem dons e tem o dever de edificar a vida dos irmãos. Praticar dando espaço para que isso aconteça.

Tampouco é um problema de povo simples e tímido, pois o modelo se repete em reuniões de liderança e presbitério, quando os pastores permanecem com uma atitude errada de esperar acontecer (por parte daqueles que estão à frente) ou seguir um modelo pré-estabelecido. A escassez de cânticos espirituais, hinos, salmos, profecia, revelação etc. nas reuniões de pastores é a mesma das reuniões do povo comum.

Você se lembra da última vez que alguém interpretou uma língua? Se faz algum tempo, certamente há alguns motivos: vazio espiritual, falta da vida de Deus, frieza etc. Mas pense comigo uma coisa. Como alguém poderá interpretar uma língua se alguém não falar em línguas sozinho para ser ouvido? Há espaço para essa pessoa nas nossas reuniões? Acho que não pois sempre há um instrumento tocando, ou sempre todos cantando, ou nos intervalos da música alguém falando dando palavras de ordem ou fazendo orações poderosas, ou sempre todos falando em línguas ao mesmo tempo, ou, ou, ou...


3. É preciso dar espaço para os dons.

É preciso romper com o modelo “culto-show”. É preciso parar, simplesmente parar o que estamos fazendo para pedir a Deus que nos dê profecias, revelações, conhecimento, salmos, hinos, cânticos espirituais etc. E deixar o Corpo de Cristo agir na simplicidade das pessoas e na realidade das pessoas. Se a realidade das pessoas é que elas estão vazias de Deus então é isso é que é honesto diante do Senhor. Clamemos e choremos a nossa miséria pedindo misericórdia. É melhor que fazer o culto funcionar com a emoção dos nossos acordes e poder das nossas frases feitas. Precisamos ter coragem de corrigir-nos nisso. É preciso ter coragem de desafiar os discípulos a romper com os modelos de “culto-show-com-cara-de-bênção” que surgem por aí.

Ter a operação dos dons não é só mudar forma de culto e dar espaço nas reuniões. É resultado de vida com Deus e ação do Espírito. Mas se ficamos satisfeitos com a emoção dos “culto-show-ISO9000”, pensando que o que sentimos ali é a unção de Deus, nunca sentiremos a real necessidade de buscar ao Senhor e dizer: “só falaremos o que o Senhor falar; só faremos o que o Senhor mandar”. Eu mesmo tenho medo desse radicalismo. Pagarei o preço para isso? Bendito radicalismo.


4. Buscar os dons.

De acordo com I Cor. 14:1 devemos ser zelosos com os dons espirituais. Procurar com zelo, dar espaço para eles, buscar que operem em nós, dar oportunidade, orar para tê-los, animar e desafiar os irmãos a agirem nos dons. Na minha experiência toda vez que fazemos isso o Espírito opera. Por que não fazermos sempre?

É preciso paciência. Desculpem a insistência nesse assunto dos “culto-show”, mas eles tem que parar para dar lugar aos erros do culto de um povo simples, povo gente e não artista. Não gostamos do irmão que vai lá na frente e fala uma coisa errada, mas o Senhor previu o erro, tanto que disse que a profecia deveria ser julgada (I Cor. 14:26).

Entre os melhores dons o melhor é a profecia. Precisamos ensinar aos irmãos que sempre que nos reunimos há gente que precisa ser edificada, consolada e exortada (que é uma palavra que não significa dar bronca, mas que está muito próxima da consolação). Cada um só precisa dizer: “Deus, estou aqui para servir ao Senhor e aos irmãos”. Então levantar-se e dizer simplesmente, por exemplo: “O Senhor Jesus ama muito a cada um de nós, isso é o que está no meu coração”. Certamente alguém ali que estava em dúvida sobre o amor de Deus precisava ser lembrado dessa verdade tão poderosa sobre o amor de Deus. Deus quer edificar, consolar e exortar cada um dos seus filhos. Ele precisa de servos que profetizem na igreja.

• Mais um pouco de I Cor. 14:1-4

Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis. Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando.

O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja.

A profecia é resultado do amor. A língua é para edificação pessoal, a profecia para edificação do outro. Profecia não é um privilégio, é um dever de amor.

Quanto ao nosso culto cheio de adoração emotiva verticalizada, ele não corresponde a toda a vontade de Deus. Deus não é um Deus carente e dependente de adoração cantada. O nome de Deus é DAR. Ele é amor, e tanto amou o mundo que DEU seu Filho... Adoração é relacionamento, muitas vezes sem música ou palavras como o silêncio da troca de olhar de um casal apaixonado.

Nesse culto do I Cor. 14 há o falar a Deus em línguas, mas o Senhor nos anima a profetizarmos aos homens porque ele quer repartir-se com eles, curá-los, consolá-los, animá-los e edificá-los para que também possam ser adoradores.

Os “dirigentes de louvor” falam para o povo: “esqueça do irmão que está do seu lado e adore”. A Bíblia diz em Hebreus 10:24,25: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”. Congregar está ligado a prestar atenção uns nos outros (considerar) e fazer correções. Como posso fazer isso esquecendo-me do irmão que está do lado?


5 - Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação.

Não temos dado valor ao que é superior. Quando alguém que consideramos importante, superior a nós, se encontra no nosso meio nós lhe damos espaço para falar. Que temos feito com os nossos profetas simples do meio do povo? Eles são superiores aos que falam em línguas, aos que assobiam, aos que sempre batem palmas no final das músicas, aos que tocam guitarras, baterias e teclados. Todos estes têm tido mais espaço. Tem algo invertido aqui?


6 - Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina?

• Revelação (Apocalipse) – Revelação das realidades espirituais, do mundo espiritual, das coisas celestiais, vontade de Deus, do próprio Deus, do modo como Deus age (Ver Ef. 3:3).

• Conhecimento (Gnosis) – Ciência, entendimento das coisas, espirituais ou materiais, de Deus ou dos homens, inclusive as ocultas. É ter o saber (Ver I Cor. 1:5; 12:8).

• Profecia – Palavra entregue da parte de Deus para edificação, consolação e exortação.

• Doutrina (didakê) – Ensino da verdades bíblicas aplicáveis no dia a dia do discípulo (Ver Tito 2:1 e seguintes).

É preciso dar espaço para essas quatro coisas. Veja que quando temos mil pessoas na nossa frente poderíamos dizer que é difícil essas mil participarem. Mas por que os presbíteros que estão à frente não participam cada um com essas coisas? Porque estão presos no modelo do “culto-show”. Há lugar para doutrina e pregações demoradas e música. Mas será que tem que ser sempre assim? Os presbíteros precisam por um lado deixar a timidez e deixar de ficar esperando que um ou dois façam tudo. Por outro lado precisam deixar de querer que toda vez que tomam o microfone tem que falar muito, fazer tudo acontecer e fazer o “céu descer”. Às vezes o que Deus quer é uma “simples” palavra de conhecimento que vai mudar a vida de uma criança no meio daquela multidão.


7 - É assim que instrumentos inanimados, como a flauta ou a cítara, quando emitem sons, se não os derem bem distintos, como se reconhecerá o que se toca na flauta ou cítara?


8 - Pois também se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha?


9 - Assim, vós, se, com a língua, não disserdes palavra compreensível, como se entenderá o que dizeis? Porque estareis como se falásseis ao ar.


10 - Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo; nenhum deles, contudo, sem sentido.


11 - Se eu, pois, ignorar a significação da voz, serei estrangeiro para aquele que fala; e ele, estrangeiro para mim.

É preciso ser compreensível. É preciso no final que cada um saiba o que foi dito e o que fazer com aquilo. Às vezes as orações são tão gritadas, no meio de outra gritaria, como podemos dizer amém? Amém para o quê? Até nas reuniões de oração as orações sempre são feitas sempre todas de uma vez só (e isso tem seu lugar), mas é raro ouvirmos a oração de um irmão, para concordar com ele, para lutar junto com ele em oração, para ouvir a oração se transformar em profecia, em revelação. É preciso parar para ouvir!!!!

Às vezes um irmão começa a reunião e pergunta: Amém? Eu me pergunto: amém para o quê? Eu vou dizer amém para o quê se ele não disse nada antes? É preciso dizer palavra compreensível e não frases feitas. Ah! É amém para começar a reunião. Com boa vontade vai...


12 - Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja.


13 - Pelo que, o que fala em outra língua deve orar para que a possa interpretar.

Temos tantas coisas boas, inclusive no louvor. As considerações (que foi uma palavra boa que achei para substituir a palavra crítica) que faço aqui sobre nossas reuniões e sobre a música em particular não significam retirar a música das nossas reuniões. No Apocalipse vemos o Céu cheio de música, há vozes de anjos individuais, vozes de mártires, e vozes de multidões. Esse é o serviço que levaremos para a eternidade: a adoração. Apenas quero lembrar que adoração não é só música. Também que precisamos progredir para edificação da igreja, como diz o versículo acima. Agora é orar para fazer melhor. Falamos todos em línguas de uma só vez? Vamos agora falar de forma que possa haver interpretação, profecia etc.


14 - Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera.


15 - Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente.

Utilizemos as formas de culto que temos hoje na dependência do Espírito, mas paremos também para deixar o corpo funcionar na unção do Espírito.


16 - E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes;


17 - porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado.


18 - Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós.


19 - Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua.


20 - Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos.

A - Palavra de Deus precisa chegar nos ouvidos e no coração das pessoas para gerar fé.

21 - Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor.


22 - De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos, e sim para os que crêem.


23 - Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos?


Os crentes precisam ser edificados pela profecia. É característica de Deus e da igreja que o serviço não seja monopolizado, mas seja exercido por todo o corpo. Onde está a profecia que edifica a igreja? Só na boca do pastor e do dirigente de louvor?

24 - Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado;


25 - tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós.

Que coisa bonita! Uma igreja assim nas grandes reuniões, nas reuniões nas casas etc. Note o POR TODOS, aparecendo duas vezes no verso 24.


26 - Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação.

No nosso caso o texto devia estar assim: “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, somente um tem os louvores e outro traz a pregação e profetiza, e o resto do povo canta junto e bate palmas e chora. Está havendo pouca edificação”.

Não vou voltar a escrever o que escrevi antes sobre buscar que o Espírito aja entre nós e dar espaço para o exercício dos dons, mas precisamos animar os irmãos a trazerem salmos (bíblicos ou poesias escritas por eles mesmos), doutrina (se alguém vai gastar mais tempo deve comunicar antes), revelação, língua, interpretação. Que tal depois que alguém falar em língua sozinho perguntar se alguém teve a interpretação? Se não houver das primeiras vezes certamente haverá depois.


27 - No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete.


28 - Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus. 29 Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem.


30 - Se, porém, vier revelação a outrem que esteja assentado, cale-se o primeiro.


31 - Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados.


32 - Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas;


33 - porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos,

Um levanta, outro senta, outro fala baixinho, outro se cala, outro fala, ficam esperando o que Deus tem. Não estou falando do modelo das “oportunidades”, estou falando de esperar Deus agir através do corpo, inclusive através das nossas pregações.


39 - Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em outras línguas.


40 - Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.


Façamos festa, gritemos, aplaudamos, pulemos, oremos juntos, preguemos com ardor, gastemos tempo doutrinando, cantemos, toquemos, falemos em línguas etc. etc., e busquemos com zelo o dom de profetizar.


“Espírito Santo, move-te com liberdade na minha vida, na nossa vida, no meio da igreja para que sejamos edificados como o senhor quer. Tu já estás em nós, por isso posso crer que tudo isso é possível. Sei que não é a forma que utilizamos, mas a graça derramada, o fogo que queima, a chuva que cai, o vento que sopra, a voz do Senhor que gera vida. Creio no Senhor, estou certo do teu agir. Amamos o Senhor”


Por Carlos Sá